segunda-feira, 6 de julho de 2015

Uma faísca para tudo pegar fogo

Texto de: Ricardo Kelmer
Foto reprodução: Facebook

O recente caso do grotesco adesivo da presidenta Dilma Rousseff de pernas abertas, sendo penetrada pela bomba de gasolina, nos revela algumas coisas sobre as quais vale a pena pensar:

1 - Nas redes sociais, a maior parte das pessoas posicionou-se publicamente contra o adesivo, até mesmo as que não gostam do PT ou de Dilma. Isso mostra que, independente de ideologias políticas, ainda há pessoas EQUILIBRADAS o bastante para saber diferenciar o protesto legítimo e coerente do fanatismo político.

2 - Muitas pessoas, inclusive mulheres e alguns sites, como o Mercado Livre, aplaudiram e até ajudaram a vender e espalhar o criminoso adesivo. Isso mostra que muitas pessoas, se for para atingir o PT, são capazes de QUALQUER COISA.

3 - Muitas pessoas não apoiaram o adesivo, mas ficaram caladas (mesmo sendo mulheres, mães e avós, como Dilma), pois não gostam do PT. Isso mostra que há muitas pessoas que preferem ser CONIVENTES com as lamentáveis e crescentes atitudes de ódio político no país. A propósito, infelizmente ainda não vi líderes da oposição e veículos da grande mídia condenarem o adesivo, ao contrário do que aconteceu com a jornalista Maria Júlia Coutinho, da Rede Globo, que sofreu violência racista.
4 - Se o presidente fosse homem, teriam feito um adesivo no mesmo modelo, mostrando um presidente da República de quatro, a receber uma bomba de gasolina? Certamente não. Fizeram isso com Dilma porque ELA É MULHER. É um triste caso de misoginia e que banaliza a violência sexual. Isso mostra muito sobre o que a direita fanática brasileira pensa sobre a mulher.

5 - 
O ódio dos fanáticos antipetistas se manifesta em atitudes fascistas e cada vez mais violentas, como no caso do estudante brasileiro (admirador de Jair Bolsonaro), nos Estados Unidos, que driblou a segurança da comitiva e ameaçou a presidenta Dilma gritando: “Terrorista! Vai cair, hein! Terrorista que rouba a população tem mais é que ser morto. Comunista de merda!”. Ainda que o PT tenha suas culpas e ainda que o governo seja péssimo, isso não justifica ataques e ofensas pessoais. Manifestações de ódio como essas devem ser imediatamente combatidas, pois são um perigo para a LEGALIDADE DEMOCRÁTICA, e sabemos que é assim que começam muitos golpes de Estado.

Sim, o massacre político faz parte do jogo na democracia, mas este caso do adesivo é um crime, e ele nos mostra claramente que, se é necessário protestar sempre que nossos políticos cometerem erros, é igualmente necessário manter o equilíbrio nos momentos de crise. Porque é justamente nesses momentos que basta uma faísca para provocar um terrível acidente. Um acidente que beneficia tão somente a quem quer ver tudo pegar fogo.

OBS: Optei por publicar as fotos porque sei que, para algumas pessoas, o impacto visual dirá mais que tudo quanto eu possa dizer. Mas elas foram embaçadas, pois são por demais violentas.


Ricardo Kelmer, 50, 
é escritor na empresa Indecências para o Fim de Tarde, 
produtor na empresa Sarau Bordel Poesia 
e integrante 



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